A realidade ignorada por brasileiros nos EUA que pode levar à ruína financeira

Especialista alerta sobre riscos de saúde e a falta de proteção que leva imigrantes a recorrer a vaquinhas.

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17 de abril de 2026
A realidade ignorada por brasileiros nos EUA que pode levar à ruína financeira

O objetivo de imigrar para os Estados Unidos frequentemente esbarra em uma realidade dura para os recém-chegados: o altíssimo custo da saúde americana e a total ausência de um sistema público de amparo ao trabalhador doente, como o INSS. A especialista em seguros e planos de saúde Teresa Pondé, durante sua participação no ECON Xperience, alerta que a falta de planejamento para emergências médicas é um dos maiores erros da comunidade brasileira. "Aqui você ganha se você trabalha; se você não trabalhar, você não recebe nada", explica, destacando que uma simples internação hospitalar pode esgotar economias e resultar até em despejo.

Essa vulnerabilidade financeira alimenta uma triste rotina nos grupos de mensagens de imigrantes: as constantes campanhas de arrecadação (GoFundMe). Para evitar depender de vaquinhas em casos de doenças graves ou repatriação de corpos, Teresa desmistifica a ideia de que indocumentados não podem se proteger. "Se você não tem status válido, você não pode ter o plano de saúde subsidiado pelo governo, mas tem direito a um benefício em vida ou suplemento de saúde. Não exige documentação nenhuma, só uma conta em banco e passaporte válido", garante a especialista, detalhando que essas apólices permitem resgatar dinheiro em vida caso o segurado fique incapacitado.

Outro grande desafio é a barreira cultural e a desinformação. Enquanto os americanos têm a cultura da proteção enraizada, os brasileiros costumam ver o seguro de vida com forte desconfiança. Além disso, o sistema de saúde dos EUA funciona em ciclos anuais, exigindo inscrições em janelas rigorosas (o Open Enrollment, que ocorre entre novembro e dezembro). Para fugir de falsas promessas, a regra é básica: "Só pegue informação com agente licenciado. Os valores variam em função do CEP da sua casa, quantidade de pessoas na família e valor declarado no Imposto de Renda. Nunca uma família vai pagar igual a outra", esclarece.

Toda essa necessidade de proteção reflete o princípio da "imigração responsável" defendido por Teresa. Em vez de imigrarem de forma impulsiva, sujeitando-se a subempregos e à ilegalidade por falta de preparo, ela aconselha um planejamento estratégico e financeiro rigoroso ainda no Brasil. "Já basta a saudade da mãe idosa, da família e dos amigos; ter uma vida difícil, eu não ficaria. Não viva sem proteção aqui e não arrisque a sua vida e a da sua família", aconselha a executiva.