Tributação estratégica impulsiona empresas brasileiras nos Estados Unidos

Joice izabel fala sobre o sistema tributário nos estados unidos e como se expandir uma empresa brasileira internacionalmente.

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28 de janeiro de 2026
Tributação estratégica impulsiona empresas brasileiras nos Estados Unidos

Expandir uma empresa brasileira para os Estados Unidos é um passo estratégico que vai muito além da abertura de uma filial ou da obtenção de vistos. Para atuar de forma sustentável na maior economia do mundo, é essencial compreender profundamente as diferenças entre os sistemas tributários brasileiro e norte-americano, além de estruturar o negócio com planejamento e visão de longo prazo.

A especialista em contabilidade internacional Joice Izabel destaca que uma das principais distinções entre os dois países está nos regimes tributários. Enquanto o Brasil oferece múltiplas opções, como Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, os Estados Unidos operam exclusivamente com o lucro real, o que exige maior controle financeiro e contábil desde o início da operação.

Outro fator decisivo é a autonomia dos estados americanos, cada um com legislações e impostos próprios. Essa característica impacta diretamente a escolha do local de instalação da empresa e influencia nos custos, alíquotas e obrigações fiscais. Além disso, tributos como o Sales Tax, pago pelo consumidor final, funcionam de forma distinta do ICMS brasileiro e exigem adaptação no modelo de precificação.

A escolha entre LLC ou Corporation é um dos pontos mais sensíveis do processo de internacionalização. A LLC, muito popular entre os brasileiros, possui tributação repassada aos sócios, enquanto a Corporation é tributada no nível da empresa e novamente na distribuição de dividendos. Apesar disso, Joice alerta que a estrutura mais simples nem sempre é a mais eficiente, especialmente quando há interação entre pessoas físicas e jurídicas no Brasil e nos EUA.

Mesmo sem um tratado de bitributação entre os dois países, é possível compensar impostos pagos no exterior por meio de mecanismos legais, como o foreign tax credit. No entanto, nem todos os tributos brasileiros podem ser utilizados nessa compensação, o que reforça a necessidade de orientação especializada.

O consenso entre especialistas é claro: o planejamento tributário deve anteceder qualquer movimento de expansão. A abertura de empresas nos EUA é rápida e acessível, mas decisões tomadas sem análise prévia podem gerar custos elevados e problemas fiscais no futuro.

Mais do que replicar modelos, internacionalizar exige estratégia, conhecimento e adaptação. Com planejamento adequado, as empresas brasileiras podem transformar o mercado norte-americano não apenas em um destino, mas em uma base sólida para crescimento global.

Saiba mais

Veja a entrevista completa com Joice Izabel no canal do ECON Business Hub no YouTube https://www.youtube.com/live/4PpDhf8gOkw?si=MFLf2V09rtpWBci0