Etarismo no mercado financeiro impulsiona transição de executivos para o empreendedorismo
Profissionais seniores utilizam a bagagem corporativa para fundar os próprios negócios
ECON News
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A estabilidade do mundo corporativo frequentemente mascara uma bomba-relógio atrelada à idade do profissional. Por mais brilhante que seja o currículo de um executivo de alto escalão, o mercado financeiro costuma ser implacável com profissionais que se aproximam da marca de meio século de vida. Elcio Gomes, que liderou operações na América Latina por gigantes como Itaú, Diners e Discovery, expõe a dura realidade do etarismo que o empurrou para o empreendedorismo.
A decisão de deixar a segurança de bônus e salários gordos não foi baseada apenas no desejo de autonomia, mas na leitura fria do seu prazo de validade corporativo. "Para ser bastante transparente e sem contar muita história, o que pesou foi a idade. Um executivo hoje, perto dos 50 anos, começa a ficar 'velho' para atuar nessas grandes empresas. O mercado simplesmente esquece de você", confessa Elcio.
O alerta é claro para quem confia cegamente no crachá. "Dificilmente você vai conseguir uma outra posição em uma grande instituição como essa após os 50 anos. Então, empreender acaba sendo uma saída excelente para quem chega a essa idade com bastante bagagem adquirida e ainda tem muita energia para tocar negócios", explica o executivo, que encontrou na fundação da operação da Ademicon nos Estados Unidos a rota de fuga contra o descarte corporativo.